Fringe 5x12/13 - Liberty / An Enemy of Fate (Series Finale)


Quando o amor e a lógica entram em sintonia.

Fringe teve o seu final na ultima sexta feira e meu sentimento com tudo o que série fez até esse maravilhoso encerramento não poderia ser melhor. Foi possível reconhecer o esforço dos produtores e roteiristas em querer fazer uma temporada e um episódio final coerente com toda a história contada durante os últimos cinco anos. É lamentável uma obra prima como Fringe não ter sido reconhecida pela audiência e pelas premiações, pois são poucas obras que conseguem mesclar tantos elementos com qualidade.

Comecei a assistir Fringe da mesma forma que muitos hoje em dia. Não me interessava pela série até começar a ouvir em podcasts sobre a qualidade dela. Os elogios eram muitos e foi impossível eu ficar indiferente a isso. Talvez o grande defeito de Fringe seja sua primeira temporada, que não deixa de ser boa, mas que mantém o formato de um procedural mecânico. Na época em que a série estreou na TV a cabo brasileira foi exatamente esse sentimento que eu tive quando tentei assistir a um episódio, deixei de lado e só retornei anos depois.

Olívia, Peter, Astrid e principalmente Walter me conquistaram de maneira tão arrebatadora que hoje sinto que estou perdendo o contato com amigos próximos que convivi durante anos. Walter em especial, porque consigo sentir aquele sentimento paternal  e me identificar bastante com a relação dele com Peter. John Nobel é excepcional e merece todos os prêmios do mundo por cada minuto de sua atuação.

Os últimos episódios dessa temporada foram bastante explicativos. Soubemos o significado da existência de Michael e como ele e o restante dos observadores foram criados e isso sem dúvidas é de grande importância, já que eles foram os grandes responsáveis por vários acontecimentos dentro da trama.

Acredito que o fato de Michael ter deixado o trem e ter sido capturado por Windmark foi uma estratégia para deixar o vilão mais vulnerável. O interrogatório dele como o menino acabou deixando suas ideias um pouco fora de ordem. Windmark se deixou levar pelo sentimento da raiva e perdeu o foco maior dando assim um pouco de vantagem para a resistência, mesmo isso não sendo visível.


Uma das coisas que foi possível ver o cuidado da produção em relação ao que os fãs querem, foi  o retorno do lado B. Saber o que havia acontecido com o lado alternativo era uma vontade pessoal minha e acredito que de muita gente. Ainda fica a pergunta na minha cabeça de o porquê os observadores não dominaram esse lado também, já que eles conseguem atravessar os universos com facilidade, mas isso de maneira nenhuma estraga o fechamento da série. Foi ótimo ver que Bolivia e Lincon formaram uma linda família. Não foi uma surpresa, pois desde que ele decidiu ficar do lado de lá, já dava pra imaginar que isso aconteceria. Walternativo certamente não apareceu, mas foi bom saber que aos noventa anos ele ainda leciona em Harvard.

O poder de Olivia com a aplicação de doses pesadas de cortexiphan, que resultou nessa travessia perigosa, foi uma das coisas que mais me agradou. A força da personagem ao aguentar tantas doses de uma droga fortíssima é algo surreal. Gosto demais dessa Olivia controlando as coisas com o poder de sua mente e o plano do resgate de Michael conseguiu mostrar novamente esse lado da personagem.

September já vinha sendo e foi nessa ultima vez muito importante para a história, pois era ele que sabia como construir o dispositivo que levaria Walter e Michael para o ano de 2167. A aparição de December também veio pra complementar e tentar explicar mais algumas coisas sobre o plano.


Muitos ficaram confusos com o fato de os observadores não existirem depois da timeline ter sido resetada. Se eles não interferissem em tudo o que aconteceu, não chegaríamos a esse ponto da história onde Olívia e Peter estão juntos com Etta no parque, mas uma frase de Walter explica tudo. Ele diz na fita endereçada a Peter: “Eu enganei o destino para estar com você. E não devíamos ter tido aquele tempo juntos, mas tivemos. E eu não mudaria isso por nada no mundo.” Walter pode ter manipulado o futuro para que na verdade os observadores venham sim a existir, mas que não chegassem ao ponto de se voltar contra os seres humanos. Em minha opinião tudo se manteve do jeito que deveria ser. Walter roubou sim Peter do lado B e assim a história foi a mesma.

O forte de Fringe sempre foi a parte emocional, então cenas como a de Peter e Walter após assistirem a fita foi uma das coisas mais maravilhosas que eu vi na TV nos últimos meses. Assim também como foi emocionante Astrid levar Walter para se despedir de Gene , que estava presa no âmbar. São momentos que não dá para esquecer e registrar. Mesmo assim a carga emocional na hora da morte de September e Walter aceitando seu destino em guiar Michael até o futuro não ficou nem um pouco atrás.

Aliás, toda a sequência final foi magnífica. Momento épico foi ver os legalistas e os observadores sofrendo com os efeitos de vários Fringe Events dos mais marcantes, seguido do ultimo momento onde ativaram a máquina do tempo e Peter enfrenta Windmark que acaba sendo morto por Olívia, mostrando que o cortexiphan foi crucial para a vitória.


É difícil pensar que semana que vem ou na próxima temporada não teremos mais mistérios, east-eggs e glyph codes. E por falar neles temos as palavras LOVED e CLOSE, relacionado a conclusão, ao fechamento das tramas.

Fringe conseguiu superar muitos dramas por mostrar uma história que é forte e sensível ao mesmo tempo. Sentiremos falta de toda a complexidade jamais exibida de tal forma em uma série de ficção científica. Cliffhangers semanais de explodir cabeças. Momentos tão emblemáticos como Olívia tendo seu encontro com Willian Bell no World Trace Center no lado B, o primeiro episódio que se passa em 1985 onde descobrimos o que realmente aconteceu no dia em que Walter rompeu as barreiras do universo e alterou o curso da história, a troca das Olívias ao final da segunda temporada, a tentativa de fuga alucinada de Olivia, Willian Bell tomando conta do corpo de nossa protagonista e em sequência um dos episódios mais excêntricos da série em animação, o mistério sobre quem eram as "primeiras pessoas", Peter entrando na máquina do apocalipse, um futuro onde Walter mata Olívia, Peter se tornando um paradoxo e sendo apagado da linha temporal, a dualidade de Nina Sharp, o plano de Willian Bell em querer brincar de Deus e criar um novo mundo fundindo as duas realidades paralelas, os observadores como ameaça. São muitos os momentos que fazem de Fringe uma série única e que deixará um vazio diferente e que dificilmente será preenchido por qualquer outra série, simplesmente porque ela não era  apenas um drama, nem só uma história de ficção ou um procedural comum, como já dito antes aqui no texto, Fringe foi um mesclado de vários elementos feito com muito cuidado e qualidade e que em certo momento foi escrito apenas para nós fãs.

PS: Melhor frase: “Você é a minha coisa favorita, Peter.”
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About Wellington Laurindo

Não vive sem música e tem em sua mente uma trilha para cada momento/ período de sua vida. Na vida de seriemaníaco há uns cinco ou seis anos, mas com um background de seriados clássicos desde sua infância. Está deixando a vida ditar por si própria os caminhos que deve seguir e esperando que isso venha dar certo. (@Wellington_Ign)
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