Agents Of S.H.I.E.L.D. 1x08/09 - The Well/Repairs


Conhecendo Melinda e Ward.

Muito se falou no episódio crossover de Agents Of S.H.I.E.L.D. com Thor. Confesso que ainda não tive tempo de conferir Thor: O Mundo Sombrio e assisti ao episódio com receio de que esse fato comprometesse meu entendimento. Felizmente, isso não aconteceu. É perfeitamente possível assistir The Well sem ter visto Thor 2. O estardalhaço foi claramente uma jogada de marketing para atrair mais telespectadores para a série da ABC.

O episódio começa com a S.H.I.E.L.D. limpando a bagunça deixada após os eventos ocorridos em Thor 2. Os agentes não encontram nada especial enquanto fazem a faxina e se essas cenas fossem cortadas, não fariam falta alguma. Aproveitando as citações a Asgard e consequentemente, a mitologia nórdica, somos apresentados a um casal que está na Noruega procurando por um cetro asgardiano.

Esse cetro pertencia a um guerreiro berseker, que era asgardiano e que acabou ficando na Terra após ser mandado para uma batalha. Os bersekers foram guerreiros nórdicos ferozes que juraram fidelidade ao deus Odin. Antes de suas batalhas, os guerreiros despertavam uma fúria indomável. É a partir daí que a série construiu a mitologia por trás do cetro asgardiano. Quem segurava o cetro ganhava superforça instantaneamente. Porém, como nem tudo vem fácil, o cetro trazia também as lembranças mais dolorosas da pessoa, algo que causasse extrema raiva nelas.

Foi graças a essa lembrança que pudemos entender mais a personalidade do Ward. Quando criança, o agente presenciou a morte do seu irmão. Ele certamente se sente culpado, já que havia outro garoto intimidando-o para que ele não ajudasse seu irmão e ele permitiu essa intimidação durante alguns minutos. Quando finalmente decidiu agir, já era tarde, e ai veio toda aquela sensação de impotência e culpa. É por isso que Ward sente que deve salvar o mundo a qualquer hora, por isso ele carrega toda aquela pose de durão.

Achei bem interessante o paralelo que fizeram dele com a May. Ward guardou essa lembrança na parte mais funda de seu ser, naquele lugar que nós costumamos colocar as coisas que desejamos nunca ter acontecido e que queremos de todas as formas esquecer. Por isso, quando ele pegou no cetro, relembrar do fato foi extremamente forte e doloroso, e a raiva que ele sentia era algo quase que incontrolável. Já May fez ao contrário. Quando ela pegou no cetro, nada na sua personalidade se intensificou ou mudou, a agente continuou exatamente a mesma. Vimos que May convive com seus demônios todos os dias, ela se lembra de tudo de horrível que já lhe acontecera a todo momento, e é como se ela tivesse aprendido a conviver com isso.

E falando em Ward e May, por mais que ambos não tenham falado uma palavra sequer na cena final, ficou subentendido o que aconteceria depois que a porta do quarto se fechasse. Eu não sei se essa relação resultará em algo mais sério, mas os dois não têm absolutamente nada a ver, nenhuma química. Espero que tenha sido apenas um consolo.

Ainda acompanhamos mais uma vez Coulson e a história do Taiti. Phil teve a oportunidade de lembrar e ficou tentado a segurar o cetro para que isso ocorresse, mas o medo do agente foi bem maior do que sua curiosidade. Se os roteiristas forem apresentar a resolução desse plot apenas na season finale, não vejo motivos para todo santo episódio citarem o bendito Taiti. Vão criar toda uma expectativa e talvez no final nem seja grande coisa, só vai servir para deixar os fãs enraivecidos. Então, se a proposta é de revelar só no final, que parem de falar sobre o lugar mágico.

E se em The Well soubemos o motivo do complexo de herói de Ward, em Repairs pudemos conhecer mais sobre o passado de Melinda, mesmo que bem superficialmente. A série continua desenvolvendo as personagens, só acho que seria bem melhor se ao mesmo tempo desenvolvesse também seu arco central, coisa que não aconteceu nesses episódios.

Repairs foi basicamente sobre crenças. Falar sobre o que as pessoas acreditam é algo que deve ser feito com extrema delicadeza, já que é um assunto que gera muitos conflitos. Cada pessoa encara a vida de uma forma e acredita naquilo que lhe faz bem, que traz paz. Nesse aspecto, Agents acertou em não apontar qual crença é a certa e melhor. A série nos mostrou vários lados, como o de Skye, Hannah e Melinda, e deixou que o telespectador refletisse sobre cada um.

Uma vez, em uma missão de resgate da S.H.I.E.L.D., aconteceu uma coisa que mudou May totalmente. Ninguém sabe como, mas ela resgatou os outros agentes sozinha, enfrentando o exército inimigo sem reforço algum. Talvez por ter sido forçada a matar, devido as circunstâncias, ou sabe se lá pelo que mais, depois daquele resgate, May nunca mais foi a mesma. Coulson fez até uma comparação, contando para a Skye como “A Cavalaria” era antes, e pela descrição, ela parecia muito com nossa hacker.

As palavras que May disse para o Tobias, ela estava dizendo aquilo mais pra ela mesma. Foi isso que ela comentou se lembrar todos os dias em The Well. Ela pode até ter aprendido a conviver com esses fatos, mas talvez esteja na hora de deixar o que aconteceu no passado. Se Tobias buscava o perdão de Hannah para não ir para o inferno, May certamente busca o perdão todos os dias para si mesma para não viver o inferno em vida.

Mas, será que algum dia veremos a antiga May? Seria bom e a série já deixou possibilidades para que os próprios agentes, ou melhor, Skye, consiga trazer de volta essa May. Já comentei em outras reviews e em Repairs ficou novamente evidente que Skye é a parte mais sentimental da equipe de Coulson. Se Fitz-Simmons têm olhos para ver onde é o problema dos equipamentos, Skye consegue ver através da alma das pessoas.

E falando nos nerds mais adoráveis do mundo das séries… Por favor, que tenhamos mais cenas de Fitz-Simmons, os dois são divertidíssimos. Como não amar eles planejando dar um trote na Skye, já que ela era a caloura? E o Fitz caindo na própria pegadinha e dando aquele grito HILÁRIO? Pior, nosso nerd ainda foi sacaneado pela May, numa cena que morri de amores já que a equipe estava reunida, brincando, e o clima era leve e descontraído.

The Well e Repairs foram dois bons episódios, só senti falta mesmo do desenvolvimento do arco central, mas, pela promo, esse plot será retomado no episódio 1x10. A notícia ruim é que esse episódio só vai ao ar no dia dez de dezembro, ou seja, teremos hiatus de duas semanas. Vejo vocês lá!

PS: “Não me importaria em botar minhas mãos humanas em Thor” Skye <3


O que vocês acharam dos episódios?  
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