Switched at Birth 3x06 - The Scream

"The Scream" - Edvard Munch, 1893.

O sexto episódio de SaB me deixou com uma sensação ruim. Sinto falta da interação familiar Kennish/Vasquez e, apesar de gostar bastante dos novos personagens recorrentes e do desenrolar de algumas tramas, outras não suprem a minha expectativa por não alcançarem a profundidade esperada. Falei semana passada que era triste demais ver o casamento dos Kennish desmoronar na minha frente e volto a repetir que, de longe, este foi o evento que mais me doeu ao ver o 3x06. Desabafos à parte, "The Scream" silenciou o meu grito e, ao invés da sensação libertadora, cheguei ao seu final me sentindo amordaçada...

"I don't know who started it, but as the single person in the equation, you need to be the one to back off." Não consigo me desvencilhar da última cena e preciso começar por lá. Renzo dava as boas vindas aos convidados íntimos para o lançamento oficial da ideia de Kathryn para seu segundo livro e o "welcome to the murder mystery party" serviu de plano de fundo para outros segredos virem à tona. Quando Jennice cruzou a porta e adentrou na sala dos Kennish, foi aquela torta de climão com John e ambos não sabiam como agir, optando pelo seguro 'nada aconteceu'. Gina foi sagaz (e amiga!) ao confrontar Jennice sobre o beijo mas, ao contrário do que eu imaginei, ela não precisou contar: Kath ouviu tudo e pôs fim à festa. Me senti despedaçada, principalmente, quando tudo foi exposto e não consegui mensurar o nó na cabeça do Toby (a sogra e o pai?! SOS). Mas, se formos racionais, podemos perceber os pedidos velados de socorro daquela união. A cumplicidade e companheirismo foram trocados pelo 'eu' e por descobertas ao invés do diálogo (vide o assunto do livro da Kath que, sim, vai dar muito o que falar), a tentativa de realização pessoal foi vista como afronta ou desmerecimento do cônjuge; as pequenas coisas foram sublimadas e, pequenas coisas, eram motivo de grandes problemas. A pergunta principal é: quando tudo se perdeu? 

Após dizer que só o via como amigo, uma Bay com tendões lesionados e sem conseguir pintar ou fazer sinais, beija Tank. E os dois, que têm uma química excelente e são perfeitos como amigos, engatam um romance e eu não estou nada interessada neste assunto! Que o Miles aka Tank é legal e engraçado e divertido e fofo e etc, ninguém pode negar, mas é sério mesmo que, absolutamente, todo ator que interagir com uma das meninas da série será, em algum momento, seu par romântico? ZzZzZz Ok, Vanessa, aceite porque Bank é um fato. Mas que começo, hein? Depois do primeiro beijo Bay já o questiona sobre o tal lual ao qual Mary Beth foi convidada e ela não... [Pausa] 'Dogfight?' Batalha de quem leva a menina mais feia num encontro? Isso realmente existe? Desde quando MB é feia? Omega Psi, que idiotas!! [/Pausa] Só que, ao descobrir do que se tratava, Bay dá um ultimato, querendo que Tank saia da Fraternidade por conta disso. É hipocrisia pensar que, por ele fazer parte da Omega Psi, seja igual a todos os outros. Generalizar é olhar o todo sem suas particularidades e detectar apenas unanimidades que são, geralmente, burras. Tank não compactua com tal atitude doente, e ainda faz uma denúncia anônima pra acabar com a festa. Homens podem ser bem idiotas quando o assunto é mulher, principalmente se forem jovens imaturos e eu gosto da maneira sutil em que a série começa a tratar do assunto.

Daphne está imersa num núcleo que também não me satisfaz por completo. Quando veio a oportunidade de trabalhar na Clínica, pensei que seria o momento de amadurecimento pra ela depois dos conturbados envolvimentos com Jeff e Jace (e uma tendência pela letra J, hein? Rs), não apenas um cenário diferente para tumultuar a vida sentimental. Mas este incômodo não quer dizer que eu não ame Campbell. Ele estava completando 21 anos e quem foi a organizadora da festa surpresa? Quem convidou todos os amigos do snowboard? MY SHIPPER!! Daphne deixou claro seu interesse por ele, ainda que não admita, e Jorge percebeu que estava sobrando, enfim. Foi triste saber que Campbell ainda tem lesões cerebrais e, por algum impacto mais forte, pode ficar em estado vegetativo, mas a alegria dele ao ganhar o carro adaptado pra, ainda que um pouco, praticar algo que assemelhe seu esporte predileto... não teve preço! Entendo o discurso dele em viver sob constante situação de perigo e, por isso, não se privar de 'sentir-se vivo' nas oportunidades que tem, mas o fato dele ouvir os apelos de Daph é prova irrefutável de que ela tem uma influência positiva sobre ele, diferente do que o recalque Gretchen disse.

SaB tem intercalado os núcleos e suas tramas de modo que todos tenham a mesma atenção ao longo da história, o que é muito bom, até mesmo pra não congestionar o desenrolar da série nem cair na superficialidade. A interação entre as irmãs está cada vez melhor, por mais cenas como o brinde "aos caras fofos e descomplicados..." - existem? E, por fim, um apelo: terapia de casal pros Kennish! Eles precisam conversar, eles precisam 'precisar' pôr as frustrações e os problemas pra fora em conjunto, ainda que todos os traumas sejam individuais! SaB saiu, definitivamente, do foco pueril pra dramas adultos e eu estou empolgada pra ver onde tudo isso vai dar. Se este foi um capítulo pra eu descarregar minhas irritações, vendo promo do 3x07 eu fiquei nervosa!!! Alguém me segura, preciso de segunda-feira!!

Algumas observações:

O que aconteceu com MB, mais conhecido por 'DogFight', é tema de um filme muito charmoso e que carrega uma lição excelente, ainda que tenha tornado-se clichê como temática de novelas mexicanas e filmes adolescentes dos anos 90. Se você tiver interesse, pode fazer o download aqui. E ver o trailer aqui.

Outra coisa interessante foi a escolha da música pra encerrar o episódio, enquanto Daphne aparentava total confusão acerca de seus sentimentos e John refugiava-se no apartamento do Toby. "Scars" retrata de forma poética aquilo que somos e, por vezes, tentamos fingir ou esconder. Todos temos cicatrizes e a maioria das personagens saíram feridas no final do dia. Basta saber se usarão tais marcas como refúgio pra semear dor ou exemplos de guerra vencida...

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