[Especial] Girl Power

8 de março - Dia Internacional da Mulher: mas por que um dia especial só pra elas? Muitos questionam se nós, mulheres, já não conquistamos nosso lugar na sociedade e a resposta ainda é pauta para reflexão. Aos homens sempre houve um espaço reservado (fato evidenciado, também, em trabalhos midiáticos, ao passo que a figura masculina sempre foi simbologia de poder e protagonismo, tanto no cinema quanto na TV) e, à mulher, restou uma constante busca por reconhecimento como sujeito de direitos. Seja reivindicando participação política, igualdade, valorização pessoal e profissional, o papel feminino na sociedade atual é cada vez mais relevante e, se a arte imita a vida, não poderíamos estar melhor representadas! Inúmeras séries têm na figura feminina pilar central de sua trama como em Sexy and the City, Desperate Housewives, Girls, 2 Broke Girls, Lipstick Jungle, Orphan Black, Pretty Little Liars, Bunheads, Orange is the New Black, as webséries The Lizzie Bennet Diaries e Emma Approved, por exemplo. Eis um pequeno exemplar de figuras marcantes que têm galgado espaços cada vez maiores em suas histórias seja pelo poder desempenhado ou pela força, seja pelo carisma, sagacidade ou inteligência; elas mostram que são poderosas!

Daenerys Targaryen (Emilia Clarke) - Game of Thrones


Dracarys!!! Dany era uma menina tímida e inocente, usada pelo perverso irmão como moeda de troca. Isto parecia o fim, mas o casamento com o líder Dothraki foi o início de uma história de superação e recomeços! A mãe dos dragões superou a perda da família, a miséria e desbravou terras estrangeiras a fim de alcançar seu objetivo. O amor e a violência forjaram seu caráter e a última Targaryen está determinada a ocupar seu lugar por direito no Trono de Ferro; sendo uma das personagens mais queridas da trama!

Olivia Pope (Kerry Washington) - Scandal


Sabe aquela pessoa que já enfrentou tanta coisa e usou isso como ênfase para uma personalidade forte e marcante? Ex-consultora de comunicações do presidente dos Estados Unidos e atual chefe da Pope & Associates, a líder do time de “gladiadores de terno” é uma pessoa excepcional! Olivia gerencia crises com uma astúcia enorme (e alguns desvios no caminho da moral, rs) e resolve problemas antes que eles venham à tona, o que não implica dizer que a vida pessoal da mesma caminhe com tamanha perfeição. Temida por muitos, inabalável, dona de uma força incrível; Pope é o tipo de mulher inteligente e articulada com quem todos gostariam de trabalhar e, em determinadas situações, parecer.

Cristina Yang (Sandra Oh) - Grey's Anatomy


Definitivamente, ela será a maior perda da série! Ainda que não seja a protagonista, Yang é o centro das atenções: uma cardiologista brilhante, exigente, durona, vanguardista! Apesar da personalidade fria, ela conferiu uma abordagem diferente sobre os asiáticos (sempre retratados como tímidos e acanhados) e, com seu humor sarcástico, sua independência, amor próprio, confiança e sinceridade latentes, Yang é o que podemos chamar de badass! Ela foi abandonada no altar e sobreviveu a um tiroteio no hospital e àquela fatídica queda de avião, mas nada disso a endureceu como pessoa. Cristina é leal e guarda todo o seu lado 'amável' pra 'her person'. 

Fiona Goode (Jessica Lange) - American Horror Story: Coven


A Bruxa Suprema. "The baddest witch." Cruel, egoísta, inescrupulosa, assassina e manipuladora, Fiona faz de tudo para manter-se na posição de maior feiticeira local (evidenciando vários traços de sociopatia), tendo como 'pequenos prazeres' a arte de insultar e menosprezar os outros. Sempre de preto e altamente vaidosa, é obcecada pela juventude eterna. Por trás de toda ostentação de poder, há sessões de quimioterapia e uma relação conturbada com a filha, evidenciando que os problemas são comuns a todos; sejam eles sobrenaturais ou não. 

Carrie Mathison (Claire Danes) - Homeland


O que dizer de uma Oficial de Operações da CIA com Transtorno Bipolar? Carrie é uma profissional genial, determinada, perspicaz e altamente obcecada pelas pistas encontradas na tentativa de solucionar os mistérios de seu trabalho ao tentar proteger a nação de grandes ameaças à segurança nacional, sem contar a caça aos terroristas. Ela é destemida e insistente, mesmo que todos duvidem daquilo que ela crê (e prova ser certo!); não se deixa desanimar pelas limitações psicológicas e emocionais decorrentes da bipolaridade e, em meio a isso tudo, ainda escreve um manifesto reinventando a música quando num surto de hiperatividade!

Alicia Florrick (Julianna Marguilles) The Good Wife


Inabalável, acho que esse seria o adjetivo principal pra caracterizá-la. Quando o marido vai preso por causa de um escândalo sexual e você encontra-se no 'olho do furacão', o que fazer? Abandonar navio? Alicia resolveu enfrentar a situação de forma destemida, ao voltar a exercer a profissão de advogada, provando ser capaz de ter uma carreira brilhante, ao passo que é muito competente! Além disso, e parafraseando o título da série, ela é uma boa esposa, sendo fiel às suas convicções - ainda que venham momentos de fraqueza e dúvida - e enfrentando o desafio diário de educar e criar os dois filhos! 

Leona Lansing (Jane Fonda) - The Newsroom


Proprietária do Atlantis World Media (AWM) e Atlantic Cable News (ACN) - a rede em que vai ao ar "News Night," Leona é perversamente genial! Astuta, mordaz e dona de um pulso firme, acredita que estes são os atributos para manter a equipe e o trabalho da AWM nos eixos, apesar dos problemas enfrentados pela ACN. O que falar do capítulo "The 112th Congress" e o show particular da diva em trajes de gala? 

Victoria Grayson (Madeline Stowe) - Revenge


Cheia de requinte, clássica, altamente calculista e inteligente... Victoria  faz jus à sua posição de vilã da série, ao passo que escrúpulos, vitimização, culpa e boas intenções não fazem parte de seu vocabulário. Um casamento de fachada (e todas as implicações possíveis), um trauma na juventude e o primogênito que ela não pôde criar foram forjando as atitudes da Sra. Grayson a ponto dela mirar no alvo desejado e só parar quando conseguir o resultado esperado. Apesar de esconder suas fraquezas (a perda do grande amor abriu profundas feridas) atrás de egocentrismo, sarcasmos, esquemas e ironias, ela é uma 'leoa' no que diz respeito à proteção dos filhos; colocando a família sempre à frente de tudo, como uma matriarca o faz.  A 'Queen dos Hamptons' é aquela vilã tão bem construída que sobrepuja o status e o poder, apresenta uma minuciosa rede de detalhes que nos levam a amá-la ou odiá-la, sem meio termo! 

Claire Underwood (Robin Wright) - House of Cards


Estamos acostumados a ver anti-heróis o tempo inteiro. E, ao lado deles, uma esposa boa e que funciona como a 'moralidade perdida', a voz da desaprovação; quando a participação desta não é, praticamente, nula. "Por trás de todo grande homem há uma grande mulher." Claire, a Diretora Executiva da Clean Water Initiative, vem quebrar este paradigma, sendo não apenas uma ajudante; mas parceira no sentido literal da palavra. Dona de uma frieza impressionante, Mrs. Underwood é uma mulher firme e determinada, a esposa perfeita para o inescrupuloso Frank (Kevin Spacey). Claire sofreu três abortos e decidiu não ter filhos o que, apesar do seu pragmatismo vil, pode ser a ponta do iceberg da tristeza que carrega.

Violet Crawley (Maggie Smith) - Downton Abbey


A Condessa de Grantham aka 'Queen of Mean' tem uma língua ferina! Astuciosa, controladora e hilária, Violet é tão competitiva e sarcástica que merecia um livro com todas as suas pérolas! Ela é sensacional ao extremo, e suas cenas nunca caem na mesmice, são sempre super memoráveis, seja por quotes ou expressões faciais marcadas, essa viúva conquista com seu espírito irônico e altamente crítico e pelas doses de 'amor discreto' para com a família - mantendo a honra e, claro, sua posição na sociedade.

Mindy Lahiri (Mindy Kaling) - The Mindy Project (por Nathália Campos)


Mindy é provavelmente uma das minhas protagonistas favoritas no momento. Talvez da vida toda. Sabe quando alguém fala algo e você pensa MEU DEUS É EXATAMENTE O QUE EU FALARIA NESSA SITUAÇÃO? Minha relação com a Mindy é assim. Ela não é perfeita, sabe disso e não está nem um pouco preocupada. Viciada em comédias românticas e cultura pop, ela odeia quando as pessoas se sentem superiores só porque ela ama Katy Perry e One Direction. Acho que o que eu mais gosto é como ela é super confiante, mas também nem tanto assim. Ela tem montes de inseguranças que ela esconde (nem sempre tão bem) e eu acho que é isso que faz com que eu consiga me identificar com a personagem. É uma personagem CHEIA de defeitos e ela sabe disso e está tentando melhorar como todos nós. Pra mim, é claro, ela já está excelente ;)


*Menção honrosa: É impossível falar em destaque feminino sem citar uma enorme fatia da população mundial: PÃES (pais + mães). Infelizmente, alguns homens não assumem a figura paterna dentro de suas famílias e cabe às mulheres a criação integral de seus filhos, bem como o total sustento do lar (econômico e emocional). Duas personagens chamam bastante a atenção quanto a essa realidade, não apenas por encaixarem-se na estatística, mas por terem feito um trabalho excelente na criação e educação de seus respectivos filhos. Ei-las:  

Karen Roe (Moira Kelly) - One Tree Hill 


Karen descobriu o primeiro amor e, com ele, uma gravidez. Resolveu prosseguir com a gestação contando apenas com o apoio do irmão do pai da criança, Keith Scott. Lucas nasce num lar amoroso e pôde conhecer a mãe incrível que possui: dona do Karen's Cafe e da Tric, alguém que retomou os estudos e nunca desistiu de acreditar em si própria e nas pessoas que a cercam. Além disso, ela sempre incentivou o filho a perseguir os próprios sonhos, dando-lhe confiança suficiente e suporte emocional para tal. Conselheira, amiga, protetora; uma verdadeira guerreira! Karen teve a chance de ser feliz no amor com o então companheiro, Keith, culminando no nascimento da segunda filha, Lily. Mas a vida lhe prega uma nova peça e a morte leva-o consigo. Mais um duro golpe que a torna mais forte, mais aguerrida e nos ensina pelo exemplo de que não precisamos tentar alcançar a perfeição, basta aprender a conviver com o que temos e, fazer disto, motivo de felicidade! Karen Roe constrói um nova família com Andy e, ao longo dos anos em Tree Hill, ela foi um pouco mãe de todos aqueles que assistiam a série.

 Lorelai Gilmore (Lauren Graham) - Gilmore Girls


"I am the Jehovah’s coffee girl!" Lorelai tinha um futuro planejado pelos pais, numa vida cheia de regras que nunca lhe fora agradável. Aos 16 anos ela torna-se mãe de Rory e, quando sua filha tem a mesma idade, Gilmore Girls conta a história de duas mulheres que, juntas, são uma família. Lor parece uma criança grande ("God lives in London?"): impulsiva, alegre, extrovertida, hilária, carismática, amiga e cúmplice da filha, ela tentou escrever uma história de carinho e companheirismo, diferente das imposições que viveu na infância. Sabe aquela máxima de 'dar aos filhos a vida que não teve?', é justamente isso! O fato de ser uma excelente amiga, não reduz o tamanho da força e garra dessa mulher! Bem sucedida no trabalho e na criação da filha, Lorelai procura a melhor educação pra Rory, focando na faculdade dos sonhos, motivando-a a aspirar grandes coisas e perseguir seus objetivos na certeza de que a mãe sempre estará por perto; junto. Lutadora, forte, dona de umas personalidades mais inspiradoras da TV e de um caráter íntegro e ímpar; sem dúvidas, quando eu vejo essas duas em cena, sei o tipo de mãe que gostaria de ser! 


“I'm not fragile because I'm a girl… I'm fragile because I'm human.” (Brooke Davis). Cheias de manias e defeitos e loucuras e desejos e hipérboles e silêncios, como todos são, o mundo seriador está repleto de mulheres poderosamente incríveis naquilo que fazem, sendo reconhecidas por quem são; não apenas 'mais uma lacuna preenchida' para objetificação feminina numa sociedade sexista! Listamos algumas representantes do 'Girl Power' apenas de séries em exibição, mas não podemos deixar de citar figuras excelentes tais quais Leslie Knope (Parks and Recreation), Selina Meyer (Veep), Jessica Pearson (Suits), Rayna Jaymes/Juliette Barnes (Nashville), Peggy Olson (Mad Men), Brennan (Bones), Olivia Dunham (Fringe), Amy Pond/Rose Tyler/Martha Jones/Donna Noble/Clara Oswald (Doctor Who), Patty Hewes (Damages), Katherine Pierce (The Vampire Diaries), Blair Waldorf (Gossip Girl), Nikita, Xena, Buffy, Felicity, Veronica Mars; que fazem jus à máxima de que "nenhuma mulher precisa se rotular ou decidir que tipo de mulher vai ser. Ela pode simplesmente ser quem ela quiser." (Beyoncé). Amen, sistah!

Reporter: - Why do you write these strong female characters
Joss Whedon (criador de Buffy the Vampire Slayer): - Because you’re still asking me that question! 
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