Freaks Look: How to Get Away With Murder

Façam suas apostas: quem vai morrer no desenrolar da história?

Com uma fila de séries batalhando por minha/nossa atenção (fim de 'True Blood', reinício de 'Grey´s Anatomy' e de 'Downton Abbey', pra citar algumas), decidi que sangue novo, mais especificamente de homicídio, teria preferência. Assim, com certa expectativa, assisti ao primeiro episódio de ‘How To Get Away With Muder’, criada pela maga da ABC, Shonda Rhimes. Com esse título, ela dá um passo na sua dominação (as noites de 5ªf. são todas dela com 'Grey´s' e 'Scandal'). Não me surpreenderia se ela criasse a sua própria emissora a la Oprah.

Porém, o maior motivador para se apreciar a série novata não é a sua progenitora, mas sim a protagonista, Viola Davis. Que atriz intensa, que talento, que primor! Ela faz muito jus ao prestígio que tem. Com um elenco sem muita bagagem, rapidamente atenções e tensões estão polarizadas em cima do que Annalise Keating tem a oferecer e a sugar. A constatar pelo furacão que ronda a vida pessoal e profissional, muito sangue ainda vai escorrer pelas mãos dessa mulher e de sua equipe (amei rever a eterna Paris de ‘Gilmore Girls’, Liza Weil).

O piloto é muito bom, precisamos confessar. Como é preciso cativar rapidamente, há muita ação e perspectiva. Fomos introduzidos, num ritmo ágil e entrecortado, a duas linhas de ação dialogando: o início da aula de Direito Criminal de Annalise, ocorrido meses antes, pontua como os alunos lidam com um misterioso homicídio no presente. Foi bem fluido a maneira como tudo foi construído, embora tenha sido demais. Na noite mais agitada e bombante do campus, ninguém viu, notou, suspeitou do que eles estavam fazendo? Não tem gente fofoqueira nesse lugar, não?

Usando metáforas jurídicas, se, formalmente, o processo e o desenrolar do piloto atraíram, materialmente, ele está comprometido, até para nossa protagonista. Ela é uma forte, implacável e determinada mulher. Por que teve de dar satisfação ao aluno sobre a sua vida pessoal? A personagem perdeu solidez e rigidez com esse gesto (Pra mim, foi só uma cena pra fazer Viola chorar brilhantemente, ou seja, sem sentido pra construção da narrativa).

Os cinco pupilos são extremamente maniqueístas, isso incomodou. Temos a bitch que quer copiar a professora, o panguá meio abobalhado (até que senti diferença na construção do ator Matt Mcgory em relação a ‘Orange is The New Black’), a nerd esquisita que acredita no fazer sempre o que é certo, o aluno minoria que precisa se esforçar pra brilhar, e o bem apessoado que joga pesado. Com esse painel, me lembrei de 'Grey´s Anatomy'. Sim, 10 anos antes, também fomos cativados por cinco internos com tons extremamente definidos de caráter. Porém, sentimos empatia e pressentimos camadas emocionais nos nossos médicos. No entanto, com esses alunos de direito tão descaradamente demarcatórios em suas significâncias, não consegui me aproximar, isto é, ser afetado. Afinal, que gente abitolada e dedicada demais a essa disciplina! Estudantes de direito não surtam só por causa de direito penal, surtam por todas as disciplinas quase. Pra ser sincero, muitos consideram o ramo civil muito mais ameaçador e complicado pelo grau de abstração.

Contudo, o pior do episódio não envolveu a construção dos personagens, mas sim, um abuso à realidade. Toda série jurídica que se preze vai debater (e mais de uma vez) a implicação de se levantar e apresentar provas ilícitas, de como tentar não comprometer investigação e julgamento com essa vedação. O Commom Law norte-americano tem a famosa doutrina, traduzindo, do fruto da árvore envenenada. Por meio dele, qualquer prova ilícita e seus desmembramentos devem ser desconsiderados, não podem ser incluídos no processo. E o que aconteceu nesse episódio? Com um descaramento da protagonista, uma falta de culhões da promotoria e uma incompetência da juíza, eis que um e-mail obtido por meio de sexo adentra no desenrolar do julgamento.

Aí foi demais pra mim. Eu até que gostei da série, da premissa, de Viola. Contudo, me lembrei de que é uma série de Shonda Rhimes, ou seja, com certeza vai haver abusos e uma forçação de barra em algum momento da trama. Então, pra preservar meu tempo de espectador, com muita consciência, meu veredicto é não retornar mais a 'How To Get Away With Murder'. Já me basta o que venho sofrendo há anos com as bizarrices de 'Grey´s Anatomy'.
                     

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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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