The Good Wife 6x05 – Shiny Objects

Nos holofotes da política, a boa esposa está preparada pra dar um passo à frente do marido
O trocadilho de ‘shiny’, no título, foi o pontapé na minha apuração dessa semana: as histórias retratadas referem-se a situações lustrosas ou surradas? Afinal, nem tudo que reluz é ouro, a começar pela carcaça física da Florrick, Agos and Lockhart (FA&L). Ela é charmosa, diferente e intensa. As goteiras até passam; o bairro torna-se diferencial. Contudo, baratas, segundo Diane, não são nada românticas. Com razão, esses bichos quase peçonhentos são sinais de que há um submundo oculto, fora do nosso controle, que pode vir à tona quando menos se espera. E honestamente, essa foi a sensação desse episódio: tem muita coisa por baixo, ainda a ser explorada pela série. No entanto, me pergunto: algumas explorações valem a pena? Famosa pela reinvenção, quando esta se compromete ao virar pura desconstrução?

A expoente desse incômodo foi a querida Elsbeth Tascioni, que sempre roubou a cena pelas peculiaridades. O charme dela foi calcado na sua mente fervescente, sem controle. A personagem vai ser sempre dispersiva, porém, nunca deixou de ser competente. De repente, não só acompanhamos o funcionar do cérebro dela, quanto vemos bobas maquinações para fazê-la se perder. Não gostei, não aprovei, in my opinion. Considero ‘uma barriga’ para história da série, totalmente descabidas, as imagens internas e cerebrais de Elsbeth. E deixá-la totalmente a mercê de controles e distrações de Alicia fizeram-na perder o brilho, deixaram-na apenas como mais uma simplória louquinha, característica nunca atribuída a ela devido à extrema aptidão e artimanhas. Isso foi sujo, respondendo ao trocadilho do título.

Além dessa reconstrução, a repetição esteve em alta em The Good Wife. Foi inusitado como várias situações (Kalinda e Cary, o desapontamento que a investigadora cria nas pessoas, a questão sexista da demissão levada a juízo, e o apoio ou não de Peter) são marcadas pelo conceito de Nietzsche do "eterno retorno" que só conheci por Milan Kundera no lindíssimo “A Insustentável Leveza do Ser”. Este postulado se ajusta no pressuposto de que a vida não vai em linha reta, mas em círculos, ou em espiral. Tudo é uma constante repetição.

Vamos, então, por partes. Mais uma vez, vivenciamos Kalinda travada em seus sentimentos. Já vimos isso, já sabemos disso. Se ela não ia revelar nada ou comentar nada, que cortassem essa cena. Parece que era só um motivo para apimentar, com sexo lésbico, a trama. De novo, percebemos os ciúmes de Cary (que parece estar usando sexo como tratamento após a prisão) por vê-la tão misteriosa e envolvida com qualquer indivíduo. Sendo o advogado tão inteligente e esperto, não seria a hora de mudar esse joguinho? Como expectador, me senti cansado em reexperimentar tais situações que viraram paradigmas. Continuando com as respostas sobre o título, isso foi obsoleto, já deveria ter sido ultrapassado.

O caso da semana foi desinteressante, graças à situação que requer maior a nossa atenção e expectativa: a candidatura de Alicia. Por isso, a única parte que gostei dessa história foi a reta final, quando a boa esposa e o implacável marido se confrontam, até a coletiva de imprensa. Com a intromissão federal, as disputas são encerradas, fazendo os dois lados se unirem caso queiram manter os proventos. Essa solução foi gasta, praticamente poida.

Nesse sentido, a possível invasão da FA&L nas dependências da Lockhart and Gardner também faz referência ao eterno retorno. Mudamos, trocamos, ousamos, mas voltamos ao mesmo ponto, como se estivéssemos presos numa mesma órbita. Se eles voltarem e Alicia sair da firma ao vencer as eleições, a profecia será cumprida pela metade: Cary é o novo Will. Diane é Diane (Que cena impactante quando ela retorna à antiga firma, isso sim é atuação com corpo, deu pra sentir o nervoso reverberando dentro dela). E Saint Alicia transcende. Mudando o placar sobre o título para 4x1, tal perspectiva seria magnífica.

No caso da protagonista, houve um empate a respeito de lustroso ou surrado. Novamente, num corredor afastado dos holofotes, ela confronta Peter. Contudo, ela não o esbofeteou, mesmo que as palavras tenham sido tão ferinas quanto o ato. O ‘bater na mesma tecla’ da traição me incomodou. Acredito que Alicia é maior que isso, ela já mostrou o quanto é capaz e superior a tudo o que emana de Peter. No entanto, os criadores continuam forçando o seu entrelaço à situação sempre inferior de uma boa esposa traída. No final, a apresentação e o endosso de Finn, que tanto haviam gerado burburinho, foram engolidos pelo pronunciamento em si do casal. Espero que as montagens finais que remetem ao piloto comecem a fazê-la reluzir mais, uma vez que a conversa de Eli com Johnny deu margem pra tanto. Alicia tem tudo pra ultrapassar Peter, assim como esperam que Hillary façam com Clinton; assim como Jackie O. se tornou mais icônica do que Kennedy.

Pra fechar o resultado, foram 5 para momentos desgastados e repetidos e 2 para situações propulsoras. Não foi um episódio ruim, dificilmente The Good Wife se porta dessa forma. Todavia, foi um momento inconstante e controverso. O bom é que fechamos um ciclo. Assim como a temporada passada, trabalhada em arcos de cinco episódios, Shiny Objects marcou o começo de mais uma possível virada, mesmo que não tenha sido por uma limpada de mesa e uma expulsão, como há um ano. 
Share on Google Plus

About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

2 comentários:

  1. Mais uma vez concordo com tudo que você pontuou. Também não gostei do que fizeram com a personagem da Elsbeth, que é de longe uma das melhores participações da série. Me recuso a comentar do mimimi eterno com a falta de storyline da Kalinda e foi tão non-sense essa coisa do vírus e do hacker russo que me abstenho.

    A cena da Alicia jogando na cara do Peter quem precisa de quem FOI SENSACIONAL mas eu concordo que não queria ela jogando com a carta da traição mais uma vez.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Eu gosto muito de TGW, mas eu acho q estou esperando demais da séria. Tenho sentido muita repetição nas tramas. Quero ameaça, conflito, problemas. Parece que o desenrolar está calmo demais.

      Excluir