The Good Wife 6x06 - Old Spice

"Hey, I just met you, and this is crazy, but here's my number, so call me, maybe"
Com seis episódios, essa temporada de The Good Wife tem se estabelecido em padrões. Embora materialmente as histórias aparentam evoluir, formalmente a maneira como retratá-las tem mantido uma codificação constante e estática. In my opinion, o ponto mais sobressalente é o viés cômico. Não é exagero, mas eu nunca ri tanto como dessa vez. Foi de um non sense total o reencontro amoroso de Elsbeth e Perotti.

Enquanto Will e Alicia se atacaram, usando o apelo sexual como arma de conquista; o casal da semana se utilizou do inusitado na corte jurídica em nome da corte sexual. Se eu critiquei a advogada na última review, nessa ela se redimiu. Primeiro adorei quando ela entregou o segredo do “in my opinion” de bandeja. Depois, houve a cena da mãozinha próxima de ambos. O ápice veio com a fogosa cena sexual (sem pudores, The Good Wife se aproveita do horário mais tarde a qual foi remanejada nesse ano). Porém, a minha crise de riso veio no momento final em que Elsbeth rebate a juíza, questionando se a magistrada estava tecendo uma opinião própria. Foi impagável porque ela perquiriu algo que já deveria ter sido arguido antes.

Ainda no assunto cômico, outro que dá as caras novamente como peça de manobra é Howard Lyman. Kalinda e Diane trazem-no de volta, dando-lhe mais respaldo fictício, para darem o bote na firma de David Lee e Louis Canning. Eu imaginava mais briga e embates pelo espaço. Contudo, tudo se sucedeu por meio da articulação e da artimanha, provando o tamanho ardil que duas mulheres tão poderosas são capazes de apresentar. Vamos ver a nova cara da Florrick, Agos and Lockhart com a recente retomada.

Em relação ao formato, confesso que tenho apreciado mais as cenas finais do que o desenrolar da trama. Considero impactante o retornar de Alicia e Diane até às salas principais da antiga Lockhart and Gardner. A reação da protagonista foi extremamente poética e legítima. Confesso que errei na profecia, segundo a disposição espacial da firma novata: Diane é Diane; Alicia virou Will; e Cary transformou-se em David Lee.

Falando no nosso acusado, tenho esperado a explosão dele ao constatar que Alicia é culpada indireta pela perseguição. Que mole que ele deu, indo para fora da cidade num simples encontro advocatício! Ou melhor, que negligente ele acabou sendo! Como gosto de drama e conflito, tomara que a restrição dele com Kalinda gere tensões e tribulações, pois ainda creio que ele esteja tratando todo o trauma por meio de sexo e descompromisso.

Preciso tecer elogios à filha prodígio, Marissa. Só ao trazer leite, esta personagem também tem elevado a dose de comédia da série. Ela é um Eli a ser eclodido, tem opiniões fortes, se mete em tudo e ainda tenta agradar. Toda a sua participação trouxe mais leveza à história. No entanto, nesse episódio, ela subiu um degrau, tornando-se uma boa aliada e conselheira de Alicia, além de sua bodywoman (quero uma também). Só faltou uma coisa: na eterna ausência de Kalinda, a nossa protagonista está necessitando de uma amiga “tequileira” pra comemorar e desabafar. Pra mim, bato o martelo para que seja Marissa.

Por fim, tivemos mais um enfoque na religião. Grace indiretamente viu-se beneficiada com a simples e poderosa argumentação linguística de Alicia. Ela disse estar próxima da religião, mas não disse que ainda é ateia; afirmou a existência da religião no âmbito pessoal, sem afirmar que daria início a acreditar ou a rezar. O questionamento final no carro, ao apontar que detesta aparentar ser o que não é, me deixa dúvidas se Alicia está apta a adentrar na carreira política, na qual as aparências falam bem mais alto, e a hipocrisia reina solta.

Assim, apesar de ter gostado dos atuais rumos, não posso me calar: está faltando algo em The Good Wife. A série está numa fase de muita calmaria, com os acontecimentos assentando perfeitamente. Eu quero choque, ameaça e quebra de expectativa, pois reinvenção, atributo desse série que amamos, deve ser sinônimo de ousadia.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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