The Good Wife – 6x07 – Message Discipline

É hora de aprendermos com a boa esposa a não sermos hipócritas
Parafraseando Finn, quanto mais eu me debruço sobre The Good Wife, mais eu percebo que subsiste uma razão por trás de outra razão, num grande mecanismo de atrelamento. Pra mim, não é à toa o contato por meio do vidro entre Alicia e Cary, como se barreiras invisíveis estivessem a afastá-los.

E talvez essa seja o grande trunfo dessa série: ela nos faz pensar, conjecturar. Nada é tão sólido ou estático; tudo está se movendo, se modificando constantemente. O que era visto como bom antes, pode ser péssimo momentos depois (por exemplo, a preparação de Alicia para ser durona na entrevista foi um verdadeiro tiro no pé). Além disso, as histórias vão se ligando, se espalhando como óleo no oceano. Não escapa ninguém. Não se tem controle.

Ainda sinto que estamos perpassando uma fase de articulações na trama, com a definição de pontos fortes e entraves, de parceiros e aliados. Nesse campo, além de Castro, que visivelmente move a máquina estatal pra derrubar a concorrente por meio do processo contra Cary; Frank Prady adentra na parada como um novo vilão a complicar a praticamente certeira vitória de Alicia. No entanto, houve uma compensação. A protagonista ganha mais um concorrente do mal junto de um possível beneficiante com a proximidade de Finn, após a decisão de retornar para a prática privada.

Aproveito esse relacionamento para discutir o ponto-chave desse episódio. Embora o título tenha nos iludido para a questão disciplinar, na verdade a hipocrisia foi o elemento recorrente nas histórias, uma vez que, cedo ou tarde, a real intenção dos atos de cada personagem brota. Por isso, me pergunto: em que pé estão Finn e Alicia? Os drinks se tornaram mais recorrentes, mais confessionais. Estariam cientes do que esse estreitar pode ocasionar ou estão apenas sendo bons amigos?

Não acredito nessa última posição, pois, conforme dito acima, tudo nessa série tem um motivo por trás de um motivo. E as palavras finais de Alicia foram sensacionais. Que discurso! Foi exatamente um esmiuçar da hipocrisia: o hipócrita, no fundo, está ciente do que realmente impulsiona os próprios atos, apesar de apregoar algo divergente; ele articula armadilhas para derrubar os concorrentes no mesmo compasso em que se eleva durante a queda da oposição; trabalha com intenção e previsão; e, por fim, corrobora o sistema pré-existente. E pensar que a palavra hipocrisia se aplica tão bem à nossa sociedade consumista, individualista e competitiva, mesmo tendo advindo do fictício, do teatro, do ato de colocar máscaras para fingir ter ou ser o que não é.

Assim, se esse processo narrativo de The Good Wife tende a ser tão rico e interessante por fazer com que nós, telespectadores, ajamos, nos importamos, comentamos, deixando de ser meros sujeitos passivos; por outro lado, não conseguimos achar respostas definitivas e concretas. Afinal, que culpa tem Cary nisso tudo? São apenas coincidência todas essas aproximações com Bishop (difícil aceitar essa suposição, já que eu desconfio muito) ou quando há fumaça, há fogo?

Não nos esqueçamos de Peter, qual é o envolvimento dele nas drogas desaparecidas? Nas palavras de Ramona (como possível novo affair do governador, ele bem que poderia se separar logo de Alicia pra ficar com a nova pupila da escola de boas esposas a recomeçar uma vida), ele estaria tentando esconder algo? Sobre o marido de fachada, faço um parêntese: mais uma vez, ele se contorna como o expoente da hipocrisia. No primeiro episodio dessa temporada, deu lição de moral em Alicia para que ela não atrelasse as finanças ao caso de tráfico de drogas de Cary, sendo que ele mesmo aparenta ter culpa no cartório. Outro ponto sem resposta neste plot foi o suposto acidente final. Será que alguém teve culpa? Foi armação? Kalinda foi seguida? Ela pode ter provocado essa queima de provas?

Por fim, como tendo a achar aprendizados em vivências, mesmo as fictícias, fico com a posição, claro, de Alicia. Se você quer beber pra aliviar, beba. Se você quer fazer a diferença, não atue como o sistema tem feito, liberando para a imprensa posições negativas da concorrência. Talvez percamos feio ou nos desapontemos. Porém, estaremos mais tranquilos conosco, sentiremos a firmeza de nossa autoverdade e dormiremos mais tranquilos sem termos sido hipócritas.  Essa deve ser a nossa mensagem disciplinar de conduta.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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