The Good Wife - 6x09 – Sticky Content

Novamente, pessoal e profissional estão pegajosamente misturados na vida de Alicia.

Assim como Frank Prady entregou uma caixa de Pandora para Alicia, The Good Wife nos presenteou com um episódio brilhante, cheio de expectativas, ansiedade e tensão, recheado de pérolas engraçadas. O ingrediente da minha admiração pela série são a harmonia e a dosagem do drama com o irônico. Afinal, o Dino, o vestido igual mais a modificação virtual e as interferências brilhantes de Marissa (quem quer leitinho?) pontuam com leveza uma história que tende a ficar perigosa. Tocando nesse ponto, aposto que a filha de Eli tenha sido a vazadora do vídeo contra Prady. Tal revelação seria êxtase, sacramentando o enunciado ‘filho de peixe, peixinha é’.
 
Dessa vez, The Good Wife está claramente nos apontando para momentos épicos; é a hora de se preparar, pois guinadas devem estar previstas. A história de Cary segue problemática, na qual nada se aparenta seguro. A gravação parecia ser mentira, mas se configurou verdadeira. O guarda-costas tenderia como uma aposta certa, porém saiu pela culatra, despertando Lemon Bishop. Por fim, o advogado dá sua palavra de que não vai entregar o traficante. Contudo, pela promo da próxima semana, essa pode ser a saída mais benéfica, ou a única.

Mais uma vez, a série trabalhou com paralelismo. Assim como Alicia, mais uma vez, deixou as influências exteriores entrarem em sua cabeça; Cary foi vítima do próprio medo e da imaturidade. Sim, fiquei decepcionado quando ele arrancou a agente Lana do armário com tamanha brutalidade. Achei que a preparação como testemunha pudesse impactar não só o campo teatral do tribunal. Me enganei. Cary continua espremido, atormentado, atordoado. Fico muito tenso e curioso para descobrir a saída para esse caso que só se complica.

Da mesma forma, Alicia se vê de novo num olho do furacão pessoal e profissional. Me encanta as referências filosóficas e religiosas desse episódio. Abrimos com um figurante discutindo o Cosmos, depois temos o presente de grego de Prady. Por sinal, as respostas de Alicia para ele, no início, mostram o quanto ela é sagaz. De boba, não tem nada. Até achei que demorou muito pra ela romper aquele lacre. Por fim, tivemos o beijo de Judas de Ramona. Que falsa, que rápido movimento pra cima do chefe. Já tinha cantado essa pedra de que Peter pudesse ter filho fora do casamento. Será que a estagiária é uma Florrick bastarda? Mesmo parecendo reviravolta mexicana (ou de Grey´s Anatomy), isso me agrada bem.

A construção desse arco pessoal me surpreendeu um pouco. Ainda acho um pouco forçado quando Alicia cobra fidelidade de Peter, embora eu tenha concordado com os argumentos dela: politicamente é um risco. No entanto, ao notar a reação dela com a investida de Finn, percebo que o casal de aparências não é farinha do mesmo saco. Peter só pensa em si, se deixa levar, quer benefício. Alicia é cuidadosa, pensativa, muito sensata. É a eterna nítida diferença de arquétipos nas grandes histórias: homens são o sol, querem conquistar, avançar, irradiar, invadir. Mulheres são filhas da lua, querem o reservado, o resplendor, o sutil.

Por mais que eu tenha ansiado pelo primeiro beijo da boa esposa com Finn, gostei da fuga, talvez motivada pelo embate (sempre marcantes) entre o governador e a primeira dama. Não, na verdade me decepcionei. Como sempre, Alicia se mantém neutra, trabalhando mais com damage control do que com atitudes. Num breve retrocesso dos momentos-chaves em que Alicia e Will se beijaram e se pegaram (episódios 1x17, 2x23, 4x14, 4x22), sempre partiu dele, ela apenas esperava. 

Conforme a nota dos criadores, com a morte de Will, a história ia mostrar mudança e aprofundamento na vida dela. Então, cadê? Ela agiu da mesma forma, pois foi Finn que avançou (o masculino sempre arremetendo), provocando o toque. Alicia, preocupada com aparência e com medo da hipocrisia, de novo, não se permitiu aproveitar, escapuliu. Não existe bad timing rondando a vida da protagonista. Ela é o próprio bad timing.

Como toda história mítica ou religiosa, antes da ascensão, tem a queda. Este episódio pactuou a sensação de estremecimento que rondam as histórias de todos, ou melhor, sinalizou os pegajosos conteúdos em cada núcleo. Por isso, talvez o próximo episódio seja o Big Bang, mais uma explosão em The Good Wife para que novos rumos e criações possam resplandecer.
Share on Google Plus

About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário