The Good Wife 6x11 – Hail Mary

Para ajudar Cary, um vislumbre ilícito que se tornou real fez Kalinda cruzar a linha da ética e da justiça 
Não satisfeita em nos cativar com brilhantismo, The Good Wife retoma em 2015 literalmente estreitando os laços com nós, telespectadores, de maneira surpreendente e estonteante. A forma encontrada foi derrubando nosso consolidado “efeito de halo”. Este termo advindo da psicologia interpessoal apregoa que tendemos a sobrepor uma característica (negativa ou positiva) de um indivíduo em frente às demais, esquecendo de todo o resto.

Assim como ocorre no dia a dia de nossos relacionamentos, nos tornamos tão afetos e próximos dessa série que, por consequência, acabamos posicionando e demarcando pontos e atos típicos para determinados personagens. Em Hail Mary, no entanto, fomos obrigados a aceitar outras facetas e possibilidades, já que tudo o que esperávamos para/de Alicia, Cary e Kalinda, depois de anos de convivência, foi por água abaixo, de um jeito alucinado e frenético.  

A começar pelo advogado, não ambicionávamos nenhuma reviravolta. Afinal, após os 10 episódios iniciais, já devíamos aceitar um novo arco na cadeia para Cary. Que nada! Apesar da preparação nada ortodoxa para enfrentar a prisão, de comida a prazeres sexuais, um detalhe foi capaz de tirar a corda do pescoço dele: as drogas foram exportadas, ao contrário da acusação de conspiração para importá-las. Provando que a polícia sabia desse detalhe, o caso ruía facilmente. Os olhos marejados e pesados de Matt Czuchry deram todo o tom. Eles saíram da aceitação de que a vida tanto sonhada havia chegado ao fim, até explodirem com a resolução. Foi brutal e catártico ao mesmo tempo.

A responsável por isso foi nada mais, nada menos que Kalinda. Tanto tempo apagada na história, ela foi o motor de articulação para a liberação do chefe/amigo/namorado. Archie Panjabi merece mais uma salva de palmas, porque sua atuação é de uma extrema medida sem ser piegas, forte sem ser exagerada, sutil e explícita ao mesmo tempo. Por Cary, a investigadora, sempre pautada na justiça e na ética, primeiro firma um acordo com Bishop que tem tudo pra piorar sua situação após tê-lo ameaçado. Até aí, tudo bem. Como no ditado, "quem está no inferno, que abrace o capeta".

Contudo, não são os constantes perigos profissionais que a abalam, mas sim, o cruzar de uma linha pessoal tão marcadamente clara: a correição. Kalinda até esse episódio sempre transpareceu ser correta, era uma cláusula pétrea em seu contrato de atuação. Já estávamos acostumados a vê-la a sempre andar na linha na busca pelo que é certo.

Nos seis anos de série, a genialidade da personagem sempre foi entender os truques e ardis do jogo para usar em conta própria, desvendando-os em prol da firma. Por isso, com essa quebra da expectativa, ocasionada pelas boas intenções de Diane, também me vi como a personagem no final do episódio: embasbacada, recuada e impotente com a liberação de Cary via o forjar de provas contra a polícia por parte dela. Desse jeito, com a saída da atriz no final dessa temporada, fica cada vez mais claro que o destino de Kalinda tende a ser extremamente traumático.

Por fim, temos Alicia. Que ela devora Peter, todos sabemos. A “graduação” no meio político, conforme palavras de Johnny Elfman, ao bater de frente com Peter, provou que a boa esposa já transcendeu o parceiro de fachada. Que Alicia trava uma batalha respeitosa com Eli, também estávamos carecas de saber. No entanto, nosso susto veio com um rompante beijo final, partindo da própria, ao receber as boas notícias do sócio. 

O ato foi um tremendo colapso, pois pela primeira vez, ela agiu no campo amoroso, partiu para o ataque. Porém, mais uma vez, fomos surpreendidos. A advogada não se jogou em Finn, mas sim, no chefe da sua campanha, Mr. Elfman. Tirando o confronto com Mr. Gold, quando Johnny diz que “Alicia é a garota dele”, nada sugestivo tinha brotado entre eles previamente, até que um singelo beijo volta a deixar nossa protagonista entre dois amores. Dois sim, pois Peter já é carta fora do baralho. Ou não, pois The Good Wife também acaba de se “graduar”, assim como Alicia. Só que sua especialização é a arte de nos tirar da zona de conforto. E que deleite nosso!
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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