The Good Wife – 6x12 – The Debate

No fundo, a fome de poder é o que une os dois candidatos 
O grande debate do episódio certamente envolveu alteridade, ou seja, o quanto a presença do outro, a interferência alheia tornam-se necessários na nossa trajetória. Por trás de cada história, sutilmente, foi possível balizar pós e contras a respeito da nossa escolha de cada dia entre individualismo ou coletivo. Por sinal, a história da própria Alicia tem sido permeada por essa constante ponderação, com muitos erros e acertos, digamos de passagem.

Na campanha, é uma verdadeira burrada querer impor posicionamentos à protagonista. Que claustrofóbica foi toda interferência daquela gente antes do debate! Concordo com Eli, ela não foi preparada suficientemente, porque ainda não conseguiram ler quem é Alicia Florrick para adequarem as estretégias.

Logo, defronte das câmeras, ela demorou a pegar no tranco. Muito me agrada abordarem essa imperfeição da boa esposa. Por a situação de concorrente no jogo político ser nova pra ela, os erros transformam-se não apenas em aprendizado, mas também em brilho. E claramente nossa protagonista faz isso individualmente, se ajustando a cada porrada que leva. Ela não precisa de tanta direção exterior.

Não tem jeito. Alicia é uma verdadeira indomável. Pode haver embates, aparamento de arestas. No entanto, quando ela quer fazer, ela faz e do jeito próprio. Não vejo candidatos mais experientes como Peter (ou um assessor matuto como Eli), caindo na lábia de Prady pra debaterem pontos de vista na cozinha do hotel. Eles achariam suspeito e aproveitador, uma possível fishing expedition a fim de angariar informações. A candidata, no entanto, topa a parada e ainda sai por cima da carne seca. É guerreira mesmo.

Com esses pequenos realces, assim como Marissa, só agora conseguimos solidificar a real sensação de que estamos diante da melhor, mais digna e mais preparada candidata pra Procuradoria. No entanto, essa força da natureza só aflorou no final, quando as cartas foram jogadas na mesa. Enfim, os três sócios revelaram o que pensam diante da situação.

Primeiramente, preciso apontar que Alicia provou do próprio veneno. No início da temporada, com Cary preso, ela guiou toda a entrada de Diane na "Florrick and Agos" sem a presença dele. Em ambas as situações, o pano de fundo explica, mas não justifica, embora eu entenda toda a decepção dela. Afinal, ainda pressinto que ela tem sido muito mais leal ao parceiro, do que vice e versa. Nada dissipa a incongruência de caráter entre os dois advogados. Alicia terá sempre um lado afetivo-maternal que ajuda, apoia e se importa com os demais. Já Cary tende a ser agressivo, pragmático e bem egocêntrico.

Novamente decisões deveriam ser tomadas urgentemente. Neil Gross atingiu em cheio a mente esperta de Diane: eles precisam agir em conjunto. E assim ela o fez, provando o quanto anos de Direito e gerenciamento a tornam uma pessoa mais propensa ao coletivo, a fim de salvar o barco, no lugar de apostar em linhas individuais de ação, como Alicia age na vida. Tal conversa entre os sócios, a meu ver, demorou a acontecer, mas foi bem eficaz. Deixaram de tapar o sol com a peneira.

Peter também reforçou o time da coletividade, abrindo mão da arraigada individualidade. Depois de muito brincar com o fruto proibido e quase estragar o debate, ele dispensa a insossa da Ramona. E no campo político, uniu forças com os pastores e a mulher da vítima do caso da semana para conterem a iminente algazarra e quebradeira. Não sei não, tenho medo de tais atos de bondade e sensatez o aproximarem da boa esposa como já ocorreu previamente.

Falando nisso, pra fechar apostando na importância da alteridade no campo amoroso (é piegas, mas defendo que amar e ser amado faz parte da nossa completude pessoal), foi ‘fofa’ a cena de olhares entre Alicia e Johnny. Já começam a brotar sentimentos mais profundos entre ambos, Marissa e eu já percebemos, não somos bobos. Só não chego a uma conclusão: ou é a constituição de Margulies, propensa a combinar com qualquer galã (George Clooney, George Eads, Ron Eldard, Peter Krause, Josh Charles etc.), ou os criadores estão se tornando ágeis em nos guiar a aceitar novos romances pra boa esposa. Como sempre a criatividade de The Good Wife surpreende pela falta de limites.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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2 comentários:

  1. Nossa! Concordo inteiramente, fiquei muito tensa com o climão que ficou entre Alicia e Diane,mas confesso que curti ter David Lee de volta. E a cena entre ela e John foi muuuuito fofa, ela realmente tem química com todo mundo e ele que sempre teve um jeito mais despojado está muito fofo com aquela cara de apaixonado, não sei se é paixão ainda, mas o que quer que seja foi lindo.

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  2. E como adoro romances problemáticos e quase impossíveis, como Willicia, já tendo a defender Johnny. Cadê Finn pra botar banca e pleitear a boa esposa?

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