The Good Wife – 6x15 – Open Source

Por que juntar Diane e Finn? Por que não Alicia? Por que ele procurou a firma de cima? Muitas perguntas em aberto

“Encontros e desencontros” poderia ser o título desse episódio. Ao longo de mais de 40 minutos, percebemos uma gama variada de situações desconexas, se chocando e se afastando, sem explicar muito bem. Logicamente, The Good Wife sempre primou por omissões pra nos deixar intrigados. Open Source, porém, deixou pontas sem arremate, de maneira bem displicente. Potencialmente, as últimas viradas da campanha a state attourney, transbordada de questões pessoais, e o caso intrigante da semana tinham tudo pra nos entregar mais um capítulo brilhante. Em teoria, parecia funcionar, mas, na prática, faltou liga nas histórias.

Talvez por ter lidado com três problemas distintos, Alicia transpareceu estar omissa e ingênua. Quanto aos bastidores eleitorais, não entendi como deixar a decisão de atacar o próprio marido nas mãos de Johnny. Era como se ela, novamente, se deixasse levar pela figura masculina dominante, no caso, o estrategista de campanha. A simples troca de discursos no teleprompter, por parte dele, apresentou um retrocesso para a imagem ativa da boa esposa. Também não foi compreensível a cobrança de Marissa. É claro que ela é uma personagem intrometida, porém, ficou pendente algum tipo de esclarecimento para os motivos de tal atitude.

A trama insossa com Louis Canning contribuiu pra retomar a imagem antiga e frágil de Alicia, que, como um doce de pessoa, não entende/aceita mesmo o existir de um mundo falso e brutal de advogados destinados a vencer a qualquer custo. Embora as artimanhas canalhas do personagem de Michael J. Fox sejam funcionais, nesse caso, foram extremamente degradantes. Afinal, um cara, no leito de morte, tramando derrubar a advogada oponente, ligando-a a grupos extremistas? Ele não deveria entrar num combate contra a firma toda? Achei esse empenho desnecessário, só mais um plot pra comprometer a protagonista. Funcionou não.

No caso da semana, Alicia deu uma aparecida apenas pra mediar, quase não atuou. Não deu pra compreender aquela participação. Também não houve qualquer motivo para a junção de forças entre Finn e a "Florrick, Agos and Lockhart". Então, o advogado-solitário do andar debaixo não é tão capaz, assim? Precisou recorrer a grandes? Essa questão nos deixou no escuro. A verdade é que a inescrupulosa Nacy Crozier tende a ser uma certeira delícia de participação para a série, contudo, seria mais impactante que Polmar digladiasse contra a firma de cima. Ou se ele se aliasse a Alicia pra dar mais tensão sexual a ambos.

Se o assunto era o funcionamento de armas (confeccionadas por qualquer um com uma impressora 3D), nada mais natural que trazer o marido de Diane de volta. Após um lapso de mais de um ano, fomos brindados com um pedaço da dinâmica conjugal dos dois. Sim, sabíamos que a química sexual deles é intensa. Também não é novidade o sex appeal de Kurt, um verdadeiro homem Malboro, perante outras mulheres a deixar Diane sentindo-se uma menina de 22, com muitos ciúmes. E as divergências partidárias e opinativas deles são uma graça de assistir. Porém, isso foi um encaixe, um verdadeiro preencher de história para o caso do tribunal. Não houve firmeza no motivo dessa exploração, totalmente aleatório.

A maior participação de luxo foi Kalinda. De repente, ela surge na trama para dar uma mera dica. Parecia que ela tinha a expertise mais aprimorada em armas do que Kurt. De novo, outra situação desencontrada. Assim como foi com o beijo final entre Alicia e Johnny. O momento não foi fluido. De bom, teve o elemento do elevador atrás, se fechando, a sinalizar que a fase de momentos furtivos naquele espaço fechado havia acabado com a morte de Will. De estranho, tivemos uma Alicia novamente apática, que não age, transparece apenas como uma típica mocinha, esperando que o homem parta para o ataque. Quanto a Johnny, ele veio literalmente de paraquedas para o turbilhão amoroso da boa esposa.

Uma história é feita de obstáculos, cheia de castigos e intempéries para o protagonista. The Good Wife sempre trabalhou com isso, sempre nos demonstrou essa capacidade. Só que, uma boa trama sabe gerenciar momentos, oportunidades e situações. Trata-se de boas e encaixadas escolhas. Este episódio pecou nesse quesito. Tudo foi muito desarmônico. Conforme o título, foi aberto demais.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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