The Good Wife – 6x17 – Undisclosed Recipient

Quando achávamos que o affair havia sido superado, o conjunto branco de Alicia sempre chega como prelúdio a Will

Impérios costumam ruir devido a problemas internos. Quase não se aborda isso, ou se revela o “por trás das cortinas” de organismos que sucumbem. Se a estrutura de dentro se mantém firme, forte e coesa, mais difícil ficará para ataques de fora destronarem o poderio. Diante dessa prerrogativa, “Undisclosed Recipient” revelou, com paralelo e simetria, as fragilidades das duas novas instâncias prestes a surgir: a promotoria de Alicia e a “Agos and Lockhart” sem Florrick.

A princípio, as histórias estavam desconexas, ocorrendo vidro a vidro, mas em universos diferentes. De um canto a nova state attorney curtia a sua lua de mel, sem poder desfrutar dos presentes. De outro, a firma congratulava a vitória nas urnas, já se preparando para não se prejudicar financeiramente com o desmembramento, nem futuramente com qualquer represália nos casos criminais por parte da futura promotora. Até que ambos são atacados, ameaçados e comprometidos.

Alicia bem que tentou se manter una e sozinha no poder, como uma genuína princesa, segundo bem pontuado por Eli. A fim de não ser uma “Peter de saia”, era natural que ela quisesse decidir os rumos do escritório por conta própria, por isso não hesitou em recusar a sugestão-imposição de Redmayne, em repudiar qualquer acordo com Castro, e em enxotar o pedido de imunidade de Bishop. Mesmo encurralada, ela tentou seguir a própria e correta cartilha. Até que um Eli surge e a coloca no lugar.

Por mais que a gracinha, a ingenuidade e a perspicácia de Marissa falem alto, é a experiência de seu pai que deve ser levada em conta. Desse jeito, para evitar problemas e conturbações, num reinado da promotoria que ainda nem começou, Alicia revê os próprios conceitos interiores e se torna uma call girl, repetindo a todos uma fala coringa a aplacar os ânimos de todos os pedintes. Não era momento de luta, mas sim de trégua, de articulação.

Essa mesma constatação acabou unindo os espaços afastados, pois o vazamento de e-mails pessoais da firma afetariam, com tudo, a nova fase e a imagem da “boa esposa”. Tal problema veio de maneira sorrateira, como um pequeno e invisível vírus, que adentra as entranhas, ganha força e compromete todo o corpo tido como sólido. Assim, o que era pra ser um caso simples de danos devido a download ilegal de um filme fracassado nas bilheterias deu ensejo a um verdadeiro “deus nos acuda” no escritório.

Com as verdades (e mentiras, não, é Kalinda?) escancaradas, cada um resolveu soltar a fera em si. E foi até bonito e inusitado de ver pessoas tão seguras, sendo fofoqueiras e agindo tão dramáticas e desrespeitosamente. A cusparada no vidro de Diane, pra mim, foi o auge. Enquanto não a afetava, Alicia não precisou agir, já que usara o e-mail da campanha pelos últimos 4 meses. Porém, com a ameaça de revelação de correspondências mais antigas, foi preciso, então, se unir. O acordo, ao invés de luta, pôs fim ao vazamento, aplacou os ânimos e ainda garantiu uma saída menos problemática da sócia.

Por fim, é preciso salientar mais um passo sutil da série. Desde que me apaixonei por The Good Wife, reclamei (e também admirei) os lapsos ocorridos da/na história. Nunca recebemos as informações quando achamos ou queremos. É sempre no tempo da trama, a cargo dos roteiristas. 

Esse episódio trouxe na máxima potência o quanto existe de histórias entre os personagens que não chegam até nós. Diane, Cary, Alicia, David e Julius tinham pensamentos e opiniões que nunca foram reveladas, embora estivessem submersos em suas atitudes. Até Will não foi poupado (dei pausa pra ler minuciosamente e fiquei pasmado com tanto erotismo). Realmente os criadores seguem bem a cartilha de que numa criação, os autores devem saber de tudo, mesmo que apenas uma parte venha a ser contada ao público. Isso é admirável.
Share on Google Plus

About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
    Blogger Comment
    Facebook Comment

0 comentários:

Postar um comentário