The Good Wife 6x19 – Winning Ugly

Literalmente foi uma virada de mesa linda e feia de se ver ao mesmo tempo

“Aqui estamos de volta de novo, direto ao começo”, no entanto, com novas e surpreendentes nuances e perspectivas. As palavras de Diane funcionaram como um resumo fantástico dos nós e percalços que surgiram para todos os personagens, nos deixando totalmente estarrecidos e transtornados, literalmente sofrendo juntos.

A cena inicial de Alicia, solitária, foi um prelúdio do que vinha. Acho que, em 6 anos de trama, esse episódio representou o momento mais complexo e pesado pra nossa protagonista, porque a fez sofrer um conjunto de derrotas feias, em diversos campos. Outras situações foram impactantes como a traição de Peter, de Kalinda... Porém, dessa vez, durante todos os quase 40 minutos, os pontos de apoio foram ruindo, um a um, efetivando uma máxima nos cursos de roteiro de que se deve castigar o seu personagem ao máximo.

Primeiro, Alicia perde a imagem pública de “santa”. Por muito tempo, ela foi a boa esposa, sofrendo com a conduta de Peter. De repente, ela passa a ser a assanhada, a que também utiliza sexo no trabalho para se favorecer como as acusações iniciais do atual governador, quando este largou a posição de state attourney no início da história. Não escutamos o que a cidadã apontou na TV, contudo, a garçonete escancara que sim, apesar de ser algo privado, Alicia mostrou um descomprometimento ético ao se valer de sexo ou flerte com Will em seu ambiente de trabalho. Por que não faria o mesmo na promotoria?

O segundo pilar a cair foi a imagem de boa mãe. Com a saída do rebento mais velho para a faculdade e a descoberta do que ele acobertou, aos poucos, Alicia e Grace se tornaram mais que meras figuras maternais uma da outra. Havia um respeito mútuo, uma admiração recíproca, um crescimento coletivo. No entanto, tais perspectivas parecem permanecer quando, bravamente, a mãe revela à filha a verdade, condizendo tudo o que já pregou antes, pois dentro de casa, reina a verdade (Zack não fez isso); para o público, é possível mentir, montar verdades a fim de se proteger.

Com isso, o terreno que parecia mais seguro deu o majestoso golpe final. O partido, a princípio, escala um advogado mais que respeitado e seguro, um verdadeiro lobo em pele de cordeiro. Marissa caiu de amores logo, querendo até casar com ele. Já Alicia foi se entregando aos poucos, confiando até ser traída descaradamente para que os democratas fossem protegidos. Pelo bem de instâncias superiores, a futura promotora deveria abdicar da posição pra não comprometer a posição do Senado e até mesmo a governadoria de Peter. Sacrifica-se nessa batalha pra se ganhar a guerra.

Falando nele, muito me irritava as aproximações entre o casal. Perdurava, erroneamente, a sensação de que adentraram mais num contrato de benefícios mútuos do que sentimentos. Nesse episódio, Peter mostrou-se verdadeiramente mudado e compromissado. Ficou do lado de Alicia, não confabulou pra favorecê-la, cobrou lealdade e esteve lá quando o elevador se abriu. Só uma pessoa que foi massacrada pela mídia e acusada de usar sexo como favorecimento profissional e de fraudar eleições, como ele, poderia oferecer algum mísero ponto de apoio.

Deixando a trama principal de lado, temos, de fato, o reavivamento da questão de fabricação de provas do caso de Cary. Dessa vez, Diane é o alvo. Apesar do descontrole justificado da advogada em enfrentar um desligamento da ordem dos advogados pela apresentação de provas falas, mesmo sem consciência, pressinto que a corda pode não romper pelo lado mais forte, o dela. Kalinda sempre agiu justamente, não é da sua índole deixar que uma pena não merecida se compute à advogada. Além disso, Cary já se apresentou como futuro delator, caso não haja jeito.

Desse jeito, mesmo separadas, as trajetórias de Alicia e dos demais componentes da firma continuam em extremo paralelo. Os ataques externos são ferozes, as derrotas estão cada vez mais consolidadas, cabeças devem rolar. Realmente ocorre um retorno ao ponto inicial, às condições dos primórdios. Porém, não se desenrola nunca a redundância, já que os personagens mudaram, o jogo transformou-se, as apostas ficaram bem mais altas. Afinal, perder já não é fácil, o que se dizer de perder quando o outro ganha de maneira feia (escusa, trapaceira, injusta)?
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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