The Good Wife – 6x21 – Don't Fail

Pelas histórias, o fim da sexta temporada busca uma nova estrutura

Dentro de uma crise de confiança, experimentada pela primeira vez, The Good Wife orienta a não falhar, ao invés de apenas seguir em frente. Possivelmente, tal imposição de Finn seja a maneira mais precisa para movimentar esse momento tão estranho na trajetória da poderosa Alicia Florrick. Nem diante de outras decepções, como a traição de Peter e de Kalinda, ou outros problemas como a expulsão da Lockhart and Gardner e a morte de Will, a fizeram questionar sua artilharia e força. Dessa vez, ela não se sente capaz, teme fazer mais mal que bem. E, assim, se imputou uma pena pesada, a vergonha de si mesma.

Apesar de tantas rachaduras na imagem da boa esposa, esse episódio pareceu uma verdadeira calmaria depois de tantas reviravoltas. Ficamos em suspenso em relação a todos os outros personagens enquanto Alicia voltava ao passado. O mais interessante disso foi como houve um reprocessamento atual por causa das vivências anteriores. Não era apenas lembrar, envolvia (re)interpretar. O pontapé não foi a escritura das memórias, mas sim, a atuação jurídica. Grace foi muito perspicaz. A mãe é mais feliz sendo advogada, desempenhando bem e com dedicação o trabalho.

Para isso, era necessário achar o 'buraco' no caso e ressalvar o cliente de 2009. Ela vai rememorando e remoendo, até que, mesmo sem querer, esbarra em questões pessoais. Enfim, mãe e filho se reconectam, mesmo de maneira truncada. Alicia relembrou o brilhantismo do rebento, ficou orgulhosa e com remorso. Ou percebeu que precisava voltar à vida dele, para mitigar a influência de Peter. Ou, reverberando a semana passada, a vida é muito curta para ser infeliz, afastado, isolado.

Também revisitamos a competitividade de Cary que acabou virando parceria e cumplicidade. Tanto no passado, quando esconde a sua opinião e segue a estratégia de Alicia, quanto no presente, ele deu vários indícios de como a preza e a respeita. Atendeu aos chamados telefônicos e foi solícito, mesmo não ganhando nada com aquilo. Fez questão de ele próprio entregar os arquivos de que ela precisava. Dividiram um bom vinho. E tocaram no assunto mais aguardado, Kalinda.

Como uma constante, só com a ausência física, Alicia pôde notar o mais novo vácuo. As memórias ressaltaram as nuances de como a investigadora fará muita falta. Sem os drinques impostos, suas acidez e sagacidade, a escaldante ironia (“I'm Kalinda none of your business”) e o modo de trabalho, a partir de agora,  as trajetórias pessoais e profissionais se tornarão mais trabalhosas e mais burocráticas, menos interessantes e brilhantes.

Apesar de computar um crime à Kalinda (pode ser a última ajuda de uma para a outra), para poder se safar de uma acusação, Alicia, na verdade, prestou uma verdadeira homenagem à conduta e ao caráter da amiga que também permeiam a decisão da protagonista de fazer a diferença, de abrir um escritório, de só pegar casos significativos. Parafraseando, a justiça importa mais que ganhar ou perder. O combate à injustiça deve ser o princípio basilar, aquele que até justifica deslizes.

A sensação, depois de tantos pesares, recai apenas sobre um ponto crucial. Pode-se perder ou ganhar. Pode-se ficar triste ou feliz. Pode-se ficar recluso ou dar a cara a tapa. Pode-se lutar ou desistir. O que não pode haver é a neutralidade, a falta de brilhantismo. A passividade não condiz com a personagem, nem com o mundo que ela criou. Faça, aja, realize, tenha metas, busque não falhar. O mundo é uma máquina que não para nunca.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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