The Good Wife – 6x22 – Wanna partner?

"Nós deveríamos ter tido a chance de fazer de novo"
"Meu tempo com você, como amiga, foi o melhor que já tive."

Até quando pretende entregar algo substancial, The Good Wife opta pelo entrecortamento. Esse episódio prometia esclarecimentos, pontuações. Contudo, ficamos apenas com míseras partes e pequenas pontas soltas. Nada se conclui, muito fica inacessível e indizível.

É a materialização escancarada da famosa “teoria do iceberg”, difundida no meio literário. A história compreende todo aquele bloco de gelo e precisa ser clara na cabeça dos criadores. O público, no entanto, só vê 1/6 da porção gelada, isto é, a parte que está fora d'água, o que é transmitido. Muitas razões e fatos passados ficam submersos, ocultos, não acessíveis. Cabe, então, a nós apenas interpretar.

Das unicidades dessa série, os últimos episódios de temporada não costumam ser tão bombásticos como em outros shows. É claro que ganchos e expectativas são deixados como manda o figurino, mas não devemos nos preparar pra algo muito impactante (O único momento estarrecedor foi a pegação no elevador, no fim da segunda, sendo que este fora anunciado nos vídeos promocionais, logo, já estávamos cientificados). O mais marcante do fim do sexto ano foi que ele, de maneira velada, fez eco a todos os outros cinco anteriores.

Como ocorreu na quarta temporada, de maneira oposta, o final se delimita exatamente com um abrir, no caso, da porta de Alicia. Novamente, ela dá de cara com um improvável personagem, Louis Canning. Ainda é cedo pra conjecturar, não sabemos se Michael J. Fox volta como convidado, ou quiçá membro regular. Se até a Florrick and Agos, que parecia ser a substituinte da Lockhart and Gardner, acabou, então tudo é possível e provável. A explosão do insolente advogado, prometendo destruir a firma que enxotou sua esposa, reverbera a articulação dele com a saudosa Patti Nyholm no final da terceira temporada.

De maneira geral, também em relação a season finale, os casos abordados carregam um teor especial. É vergonhoso ver a Polícia escancarar sua característica inquisitorial e degradar o garantismo de um sujeito de direitos, ao pegá-lo, mantê-lo preso sem informar do que estão acusando, sem permitir um advogado, sem pronunciar os “Miranda Rights”. As palavras infláveis de Finn, como também foram as de Will no closing argumets do fim da segunda temporada, revelaram-se na medida diante do que acontecera. Os fatos mostraram-se cheios de idas e vindas, enrolações, artimanhas, totalmente descaradas, o que nos deve deixar estarrecidos. Afinal, de todos os direitos individuais, tortura e escravidão são os únicos que não podem nunca ser mitigados. Ali, houve tortura, além de desrespeito, violação.

Esse segundo cliente de Alicia criou dois propósitos interessantes. Primeiro, mostrou a guerreira e empenhada advogada, ou melhor, trouxe de volta a saint/warrior princess que todos não esquecem. Eli é uma figura muito sábia, mas não percebeu que um livro de memórias não será mais eficaz do que o trabalho dedicado da boa esposa nos tribunais. Atos falam mais que palavras. Assim como no último episódio da temporada passada, com a ideia de concorrer como state attourney, já percebemos a aproximação do estrategista a fim de moldar uma imagem de Alicia mais propícia para o público, se Peter realmente concorrer à vice-presidência. Isso foi a ligação com o primeiro final de temporada. Lá, ele anuncia ao público que volta como candidato à Promotoria, pede apoio e fé. Agora, ele se direciona à família, também pedindo apoio fé, mesmo que a decisão pareça já ter sido tomada.

E o segundo motivo propiciou à protagonista um “teste” a respeito da parceria profissional com Finn. Só faltou o beijo pra selar que inegavelmente tem havido algo entre esses dois. Tivemos os olhares, a aproximação lenta, os drinks amigáveis, flertes pelas palavras e até um momento trancados dentro do carro com uma música apaixonante (como no fim da quarta temporada). O papo final parecia déjà vu, seriam palavras que o próprio Will falaria. Agora, não é culpa do bad timing, mas sim, da falta de vergonha na cara. Alicia tinha acabado de se abrir, dizendo que parou de se importar. Só falta agir.

A falta de ação foi exatamente o tom da sensação surgida com o derradeiro encerramento da trajetória de Kalinda em relação à protagonista. Evito tons pessoais nas análises, porém, a situação pede um desvio. A cena entre as duas não me convenceu. Parecia fria, parecia arranjada, parecia irreal. Fica a impressão de que as duas não interagiram de verdade. Tem até um artigo, em inglês, dissecando os arranjos de gravação. Duas coisas que ficaram nítidas pra mim foram uma linha central, praticamente gritante, dividindo ambas; e os shots mostrando em vultos a cabeça de uma, enquanto focava o rosto da outra. O texto comenta isso e mais outras nuances como o olhar de Alicia pras mãos da amiga e até o brinde de tequila.

Bom, focando só na história, foi até condizente. Kalinda não é boa de palavras. Não expressou tudo o que sentiu, o que precisava dizer. Não foram tão reminiscentes, nem saudosistas. Apenas tomaram as famosas tequilas, atestaram que foi bom e importante, mas passou. O mais valioso foi a singela possibilidade de dizer adeus. Elas puderem se despedir apesar da separação forçada. Não foi abrupto. E com a recente confirmação de renovação da sétima temporada (além de 4 indicações ao Critics' Choice Television Awards 2015: melhor série dramática; melhor atriz dramática – Margulies; melhor atriz coadjuvante dramática – Christine Baranski; melhor ator/atriz convidado em série dramática - Linda Lavin que foi a agente da condicional de Cary), também não precisamos nos preocupar com nosso adeus, só com o hiato até setembro.
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About José Eduardo Brum

Formado em Comunicação Social (jornalismo), estudante de Direito pela UFJF e escritor desde 2008 do hupokhondria.wordpress.com, além de ser ator, iluminador, divulgador, produtor e outras funções que o teatro requisitar. Apaixonado por ficção televisiva, os primeiros contatos foram com Xena, Ally Mcbeal e Sex and the City, sendo afixionado e devotado por Six Feet Under, The Good Wife, Pushing Daises, Ugly Betty, Mad Men e Penny Dreadful.
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