Vinyl 1x03 - Whispered Secrets


Apesar da velocidade de Vinyl continuar lenta, "Whispered Secrets" tratou de mostrar um pouco da vulnerabilidade de cada personagem. Ter alguma fraqueza não significa que a pessoa não seja forte, e sim, que é humana. Há pessoas que não se importam em demonstrar quando estão tristes, mas outras preferem se esconder em atitudes pouco compreensíveis.

É o caso de Richie, que além de se afundar em seu vício, esconde decisões importantes da esposa. No episódio anterior, conhecemos uma Devon apaixonada por fotografia, uma mulher que nutria outros sonhos, além de construir uma família. O machismo naquela época, acontecia de forma natural. Era comum o homem sustentar a casa, enquanto sua companheira se concentrava em apenas manter o lar em ordem. Finestra não foge desse padrão. Além de ser egoísta, o flashback mostra o medo que ele sempre teve de Devon se envolver muito em seus negócios.

Deixar os sonhos de lado, já era algo que visivelmente não fazia Devon completamente feliz, mas o sentimento por Richie era forte o bastante para aceitar o sacrifício. Ser ignorada pelo marido na cama e nos negócios, faz Devon assumir uma postura reflexiva e frustrada. Inclusive, quando percebe que Finestra trata seus eventos beneficentes apenas como uma forma da mulher passar o tempo. Sabemos que é muito além disso. Ser responsável por arrecadar dinheiro é uma maneira que ela encontrou para se sentir importante.

Toda essa frustração com a decisão do marido, culmina e uma cena incrivelmente sensível de Devon ao procurar Andy Warhol. Olivia Wilde conquista cada vez mais espaço nos episódios e em nossos corações. Foi emocionante assistir a personagem desconfortável em pedir um favor ao amigo. A vulnerabilidade de Devon estava estampada em sua expressão facial. Uma mulher que poderia ter conquistado o mundo, mas optou em ser esposa, mãe e companheira. Através disso, é possível enxergar uma futura reviravolta. Afinal, o quadro era um objeto importante para ela, leiloá-lo acentua sua vontade de recuperar um pouco de si.

Passando para o ramo musical, foi interessante assistir a forma que Alice Cooper foi inserido. O cantor ficou conhecido nos anos 70 por suas performances obscuras e obscenas.  Além de conseguirem caracterizá-lo com maestria, as cenas serviram para dar uma pitada de humor no episódio. Apesar de Alice ter seguido carreira solo na realidade em 1973, em Vinyl fizeram com que a tentativa de Clark ao separar a banda fosse fracassada. A inexperiência do personagem é evidenciada ao tentar uma abordagem de forma errada, mas acredito que ele ainda ganhará mais destaque. O plot também comprovou mais uma vez a individualidade e egoísmo de Richie.

Do outro lado, Jamie mostra maravilhosamente ser uma personagem firme e apta em reconhecer novos talentos. Embora, Julie seja irritante, machista e preconceituoso, foi legal vê-lo escapar da bronca de Richie. Talvez isso faça escutá-lo mais uma opinião feminina. Aliás, foi interessante notar que desenvolver uma banda é diferente de modificá-la ao ponto de perder sua personalidade. Richie pode ter vários defeitos, mas sabe o que é sentir música, da mesma forma que Jamie.

Mais uma vez, pudemos apreciar a voz de Lester Grimes. Foi impossível não sentir o desapontamento do personagem quando ele imagina como teria sido se ainda pudesse cantar. A cena foi tão bem executada, e a atuação que Ato Essandoh entrega é sensacional. Grimes não consegue perdoar Richie, e nem deve. Entretanto, tudo pode mudar. Finestra acreditava no potencial do cantor, e parece disposto em ajudá-lo. Esse é um dos plots mais interessantes da série, espero que haja uma forma de reverter o que aconteceu.

Vinyl segue um ritmo lento, mas não há o que reclamar. O enredo é desenvolvido conforme os personagens precisam ser apresentados. Até mesmo o crime que aconteceu é importante para o roteiro. Foge da esfera musical? Sim, mas foi a partir dele e do desabamento do prédio que Richie se entregou para a música novamente. Há muito o que desenrolar desse plot ainda, porém, a série é recheada de referências e sempre presta homenagens ao grandes ícones.

♫ Não tenho certeza se foi uma referência, mas na hora que o amigo de Alice Cooper aparece e ele fala "Here's Johnny", foi impossível não lembrar de "O Iluminado", filme de Stanley Kubrick baseado no livro de Stephen King.

♫ A cobra era um dos maiores elementos usados por Alice Cooper. É incrível notar como cada detalhe é introduzido na série.
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About Caroline Lustoza Boos

Cinéfila assumida. Apesar de colecionar séries, One Tree Hill ocupa maior parte do seu coração. Apaixonada por todos os filme de Alfred Hitchcock. Consumista por séries, filmes,livros, bonecos e afins. Sonha em rodar o mundo. É mãe de 3 gatos, porém, se pudesse teria muito mais. É reservada, mas quando faz uma amizade de verdade, leva para a vida inteira. (instagram/snapchat: @cahlboos)
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